Como o GPT-5 ajudou um imunologista a resolver um mistério de 3 anos | IA em Foco

A OpenAI revelou um caso impressionante de aplicação científica do GPT-5 Pro: o modelo de linguagem mais avançado da empresa ajudou o imunologista Derya Unutmaz, professor do Jackson Laboratory e da Universidade de Connecticut, a desvendar um mistério que intrigava seu laboratório há três anos.

O enigma girava em torno da especialização das células T — componentes críticos do sistema imunológico que combatem câncer, doenças autoimunes e infecções. A pergunta central era: como a glicose afeta o desenvolvimento dessas células?

O experimento que ninguém conseguia explicar

Em 2022, a equipe de Unutmaz expôs células T a dois ambientes distintos: um com baixa concentração de glicose e outro com deoxiglicose, uma molécula que bloqueia a utilização de glicose. A expectativa era que ambos os grupos produzissem resultados semelhantes, já que nos dois casos as células teriam acesso limitado a energia.

O resultado foi surpreendente: as células expostas à deoxiglicose produziram uma quantidade drasticamente maior de células Th17 — um tipo inflamatório de célula T. O grupo com baixa glicose não apresentou esse comportamento. A discrepância deixou os pesquisadores sem explicação.

A contribuição do GPT-5 Pro

No final de 2025, Unutmaz decidiu carregar os dados não resolvidos no GPT-5 Pro. Em questão de instantes, o modelo sugeriu uma hipótese que a equipe não havia considerado: a deoxiglicose estava interferindo na produção da proteína IL-2, que normalmente impede que células T se tornem Th17.

Em outras palavras, a deoxiglicose removeu acidentalmente uma barreira molecular, permitindo que as células T se especializassem em células inflamatórias Th17 — algo que a restrição simples de glicose não causava. Unutmaz descreveu a descoberta como um “insight notável” que estava fora da expertise imediata de seu laboratório.

O modelo foi além: o GPT-5 Pro também simulou com precisão um experimento ainda não publicado com células T modificadas para atacar linfomas, demonstrando uma compreensão profunda que vai muito além de simplesmente recuperar informações da internet.

IA como colaboradora científica

Unutmaz agora considera modelos como o GPT-5 Pro colaboradores indispensáveis na pesquisa científica. Eles conseguem processar volumes massivos de literatura, identificar perguntas não respondidas e refinar hipóteses em uma fração do tempo que um humano levaria.

“Simular experimentos e prever resultados pode reduzir semanas, meses ou até anos dos cronogramas de pesquisa, acelerando a descoberta biológica”, afirmou o pesquisador. Ele compara o momento atual da IA na ciência a um período sem precedentes, superando até mesmo o impacto da internet ou da revolução industrial.

O caso reforça uma tendência crescente: ferramentas como GPT-5.2 Deep Research e Codex já estão sendo usadas para compilar dados de mutações de câncer e gerar materiais de pesquisa, sinalizando uma era transformadora na interseção entre inteligência artificial e biotecnologia.