O The New York Times propôs nesta quinta-feira (26) uma alteração em sua queixa de violação de direitos autorais contra a OpenAI e a Microsoft, intensificando as acusações contra a gigante de Redmond. Em um documento judicial fortemente censurado, o jornal agora alega que a Microsoft construiu deliberadamente um sistema de supercomputação sob medida para ajudar a OpenAI a treinar modelos de IA com obras protegidas sem permissão.
O novo argumento jurídico
A moção do NYT vem após a Suprema Corte dos EUA decidir a favor da Cox Communications em um caso contra a Sony, estabelecendo um novo padrão para alegações de violação contributiva de direitos autorais. Agora, os demandantes precisam provar que as partes agiram intencionalmente para induzir conduta ilegal — e é exatamente isso que o NYT pretende demonstrar.
“Hoje, pedimos permissão ao tribunal para apresentar uma queixa alterada que fortalece ainda mais nosso caso, esclarecendo nossa alegação de violação contributiva contra a Microsoft com base em novas leis e novas evidências descobertas durante a fase de discovery”, afirmou Graham James, porta-voz do NYT.
Supercomputador sob medida para infringir
A acusação central é contundente: o NYT alega que a Microsoft não forneceu apenas serviços genéricos de nuvem, mas projetou um sistema “extraordinariamente complexo” com o propósito explícito de usar praticamente toda a internet — com curadoria desproporcional de artigos do NYT — para treinar os LLMs mais capazes da história.
“A Microsoft projetou especificamente esse sistema para usar essencialmente toda a Internet — com curadoria para apresentar desproporcionalmente obras do Times — para treinar o LLM mais capaz da história”, diz a queixa.
Segundo o jornal, a implantação desses modelos em toda a linha de produtos da Microsoft impulsionou sua capitalização de mercado em US$ 1 trilhão apenas no último ano.
Evidências de danos ao mercado
Durante a fase de discovery, incluindo uma enorme quantidade de sessões de usuários do ChatGPT, o NYT encontrou evidências substanciais de danos. Em vários casos, usuários contornavam paywalls pedindo ao ChatGPT o “próximo parágrafo” de artigos, e o modelo simplesmente entregava trechos quase literais do conteúdo protegido.
Em outras situações, os modelos “simplesmente cuspiam vários parágrafos” sem qualquer artifício. O NYT apresentou comparações lado a lado entre o conteúdo original e as saídas do ChatGPT, demonstrando o que considera substituição de mercado e danos à sua reputação.
Embora o NYT tenha concordado em retirar voluntariamente duas alegações (violação contributiva de direitos autorais e diluição de marca contra todos os réus), o porta-voz James foi enfático: “Nossas alegações principais permanecem as mesmas desde o dia em que entramos com esta ação — a Microsoft e a OpenAI roubaram milhões de obras protegidas do Times para competir com nossos produtos e se enriquecer ilegalmente.”
Um porta-voz da Microsoft rebateu, classificando a queixa alterada como “um esforço de última hora do demandante para salvar sua reivindicação de precedentes desfavoráveis estabelecidos em outras decisões recentes.”
O caso, iniciado em 2023 como a primeira grande ação de uma editora contra a OpenAI, continua sendo um dos processos mais observados na interseção entre inteligência artificial e direitos autorais.


