Relatório da ONU alerta: IA poderá consumir 3% da eletricidade mundial e mais água do que usamos para beber

Um novo relatório das Nações Unidas publicado em 2026 destaca um alerta crucial sobre o impacto ambiental do crescimento acelerado da inteligência artificial (IA). Segundo o documento, até 2030, a IA poderá consumir até 3% da eletricidade global, além de demandar mais água para refrigeração do que o volume anual necessário para o consumo humano mundial.
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O que o relatório revela sobre o consumo energético e hídrico da IA
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O relatório da ONU desmonta a ideia comum de que os avanços em eficiência tecnológica reduzirão o impacto ambiental da IA. Na prática, o fenômeno conhecido como paradoxo de Jevons prevê que ganhos em eficiência tendem a aumentar o consumo total do recurso. Ou seja, conforme os modelos de IA se tornam mais baratos e acessíveis, a tendência é que seu uso se expanda, anulando as economias de energia e recursos.
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Hoje, os data centers já consomem uma quantidade de eletricidade equivalente à da Arábia Saudita, o 11º maior consumidor mundial. A projeção é que o uso de energia dobre até 2030, o que implicaria na necessidade de plantar 6,7 bilhões de árvores ao longo de uma década para compensar as emissões geradas. Além disso, a demanda por água para resfriamento dos centros de dados alcançaria 9,3 trilhões de litros, e a área necessária para infraestrutura de IA seria quase dez vezes o tamanho da Cidade do México.
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Desigualdade e concentração na infraestrutura de IA
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O relatório também destaca a concentração geográfica da infraestrutura de IA: apenas 32 países possuem nuvens específicas para IA, sendo que 90% dessa capacidade está nos Estados Unidos e na China. Isso acentua a divisão digital global, onde países consumidores suportam uma carga ambiental desproporcional, decorrente da extração de minerais e do descarte de resíduos eletrônicos, enquanto outros detêm o controle e os benefícios da tecnologia.
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Diretrizes para o uso responsável e sustentável da IA
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Para mitigar esses impactos, o estudo propõe um roteiro baseado em princípios como transparência, eficiência desde o design, justiça, responsabilidade ao longo do ciclo de vida, cooperação global e uso sustentável. A governança deve cobrir toda a cadeia de valor, desde a extração de minerais até o descarte seguro e a reciclagem dos equipamentos.
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Além disso, recomenda-se que as emissões e o consumo energético das aplicações de IA sejam divulgados rotineiramente, considerando tanto o modelo quanto as tarefas executadas. Essas informações deveriam ser incorporadas a planejamentos climáticos e energéticos nacionais e internacionais.
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Exemplos recentes de políticas nacionais
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Países como Nova Zelândia e Austrália já adotam estratégias nacionais para IA que incluem princípios de desenvolvimento sustentável e inclusivo, embora ainda não exista obrigatoriedade de divulgação ambiental nem órgãos reguladores específicos para monitorar o consumo de energia e emissões dessas tecnologias.
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Na Austrália, por exemplo, o National Film and Sound Archive criou o Bowerbird, uma ferramenta de transcrição massiva de áudio e vídeo baseada em aprendizado de máquina, e o Departamento de Assuntos dos Veteranos desenvolveu protótipos para agilizar o processamento de pedidos usando IA. Entretanto, essas iniciativas seguem uma abordagem regulatória leve e baseada em princípios, que pode negligenciar os crescentes custos ambientais.
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O que muda para quem usa e desenvolve IA
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Este relatório da ONU serve como um alerta para todos os envolvidos com IA — desde desenvolvedores, empresas, governos até usuários finais. A mensagem principal é que, embora a inteligência artificial ofereça inúmeras oportunidades, seu uso deve ser alinhado a práticas sustentáveis para evitar um impacto ambiental insustentável.
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É fundamental repensar o modelo de inovação, priorizando uma tecnologia que respeite o meio ambiente e promova a equidade global. Transparência no consumo de recursos e cooperação internacional serão chaves para um futuro tecnológico sustentável.
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Links úteis para aprofundamento
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